sábado, 31 de outubro de 2009

Cofre dos Porquês


Ao dobrar numa rua escura, Murilo, andando distraído e despreocupado, topa em um objeto que se assemelha a um rolo de cartas. Apanha-as e constata que são várias cartas escritas num papel simples, que já se fazem amareladas pelo tempo e pela lama da rua. Vira-as de um lado para o outro, atrás de um endereço para que possa identificá-las; mas, o que vê, causa-o pavor, levando-o a jogar as cartas no chão; e devagar, recua até alcançar a rua por onde andava antes de entrar nessa outra. 


Chegando a um bar próximo dali, pediu uma cerveja e ficou, de quando em quando, olhando para a entrada daquela rua sinistra e pavorosa, com o receio de que alguém de repente saísse dali, e caminhasse em direção a ele com aquelas cartas na mão. Virou-se para o outro lado, e ficou olhando dois homens que estavam conversando muito próximos um do outro; parecia que o olhavam e depois tornavam a cochichar algo sobre ele.


- O tempo está estranho, pensou Murilo - Não consigo acreditar no que acabou de acontecer. Aquelas cartas eram para mim! 


Realmente as cartas eram para ele e estavam datadas no ano em que nasceu, há cerca de vinte anos atrás. Depois de pagar a conta, Murilo encaminhou-se para seu destino, porém, evitou passar por aquela rua que acontecera tamanho absurdo. Nem cogitava imaginar o porquê daquilo tudo; pior, nem despertava a curiosidade natural que nos acomete nesses casos: tudo que ele queria era correr dali!


Saber? Para quê? Antigamente, naquela rua, funcionava um famoso bordel. Quantas mulheres maravilhosas haviam ali!, era o que todos falavam. Murilo passou por ali e nunca mais voltou.


segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Casa própria

Nunca pensei que fosse tão difícil realizar a vontade de ter uma casa própria. Como não sou rico, nem tenho previsões de que isso vá acontecer nos próximos anos, pois não jogo na mega sena e não tenho no sangue, o empreendedorismo de outros, tenho que entrar no financiameno da Caixa Econômica para adquirir o referido Bem. Mas, como as coisas nunca parecem fácil na primeira impressão, se tornam complicadíssimas quando encaradas de frente e a fundo. Há vinte três dias que a Caixa está em greve aqui em Fortaleza, e pelo que acompanho no site do Sindicato dos Bancários do Ceará, a coisa ainda vai se estender por algum tempo. Tudo bem que já peguei um prazo longo da construtora; passei por uma greve da Secretaria das Finanças de Fortaleza; agora, vamos entrar no vigésimo quarto dia da greve dos bancários da Caixa aqui no estado, e, se tudo correr como vem se apresentando, até o Natal estarei em casa. Amém.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

As duas realidades do Brasil


Há, nitidamente, dois países dentro do Brasil: um que já é considerado um país de primeiro mundo, e outro, menos atrativo, considerado por muitos um país atrasado do terceiro mundo. O que está no primeiro mundo goza de prestígio internacional de proporções inimagináveis há alguns anos atrás; tem a oitava economia do planeta; podendo alcançar a quinta posição, logo que o pré-sal comece a jorrar da terra, para a alegria dos que estão no topo da pirâmide especulativa do mercado financeiro. E como se dá essa disparidade? O país está nitidamente, dentro do hall dos que mais avançaram, tecnologicamente e economicamente. Polarizaram-se os mercados que compram os produtos brasileiros, acabando, assim, a hegemonia norte- americana, de únicos compradores potenciais. Onde estiver uma economia forte, lá estará um empresário brasileiro, ou mesmo o Estado brasileiro, fazendo acordos, fechando negócios de milhões de dólares. O outro, vive uma realidade que já dura, anos e anos de enorme descaso social, agravado pelo paradigma totalizante do viés mercadológico e financeiro. A distribuição de renda caminha a passos de bicho-preguiça com relação aos enormes avanços econômicos. Caracteriza-se, assim, um país com um PIB fabuloso, de país desenvolvido, mas por outro lado a marca do terceiro mundo de maneira cruel e desumana.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

2010: O Governo acorrentado

Ano de eleição é sem dúvida intrigante, surpreendente, emocionante e também estranho. Estranho a começar pelos senadores da República que sugerem que em ano eleitoral o Estado pare de funcionar; que qualquer atividade de investimento da União se transforma, para alguns senadores da oposição responsável(?), em jogada eleitoral e uso da máquina como propaganda para o candidato do Governo. Estão pensando, imagine se é possível!, em colocar a emenda Artur Virgílio para votação, chamada assim por ser o senador do Amazonas o seu idealizador, que proibirá aumento ou implementações de programas do Governo Federal em ano eleitoral. Eles propõem exatamente isso: um ano inteiro de engessamento do Estado. Essa atitude do senado vai de encontro aos nobres motivos pelos quais foram eleitos os senadores da República que é a obtenção de melhorias para seus respectivos Estados. Se proibirem o Estado investir em programas sociais em 2010, irão ferir terrivelmente os interesses de todos os brasileiros. Vamos torcer para que essa esdrúxula emenda só sirva para que Artur Vírgilo seja execrado por toda a opinião pública.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Direitos Humanos - E eu com isso?

Ao ouvir uma explosão perto de sua casa o menino palestino cria a certeza dentro de seu coração que se dessa vez a sua família escapou, na próxima podem não ter a mesma sorte. Quando assistimos ao fato pela televisão somos atraídos apenas pelo teor jornalístico da imagem, às vezes carregada de emoções - uma família chorando ao lado do corpo do filho. Mas, na maioria das vezes assistimos a tudo com um cinismo dramático, assemelhando-nos, intimamente, dentro de nossa mísera condição de telespectador, a um frio genocida moderno.

O Tanque de Guerra arrasta casas, escombros de uma cidade, empurrando sobreviventes para áreas remotas, longe das terras seculares de seus ancestrais num claro desrespeito aos Direitos Humanos.

O que acontece no extremo Oriente não é caso isolado de um mundo que mergulha na obscuridade do atraso; é antes de tudo, a expressão e tradução de um mundo onde a singela pergunta ‘E eu com isso?’ está presente no espírito do homem-telespectador, incapaz de entrar de forma séria nos diversos temas importantes da atualidade.

sábado, 1 de agosto de 2009

Da varanda...

Dia desses, meu filho e eu, sentados nas nossas Tardes ociosas de um dia qualquer, virou para mim de repente me perguntando como eu consigo fazer para que perto de mim ele conseguisse se sentir tão protegido e forte; força necessária para olhar aquela imensa tarde, sabendo que um dia, terá que a encarar sozinho, sem minha presença. Como posso, perguntava meu filho, já sentir que você me entrega o mundo sem mesmo sair de perto de mim? Falei que não sabia ao certo como isso acontece, mas que trago dentro de mim a confiança de que sei um pouco de como é duro a falta de uma mão firme para mostrar que outras Tardes virão, e que podem não vir muito claras como essa que hoje nós contemplamos. Meu filho segurou em minha mão e sentiu o quanto é difícil de explicar coisas já a muito endurecidas no coração. Deve ter lembrado os dias que brincamos juntos; que o imenso sorriso que recebia de mim também vinha da necessidade de mostrar para ele a minha esperança renovada e a oportunidade de fazer tudo diferente. Eu, meu filho; nós dois tentando fazer com que o mundo não nos distancie no abismo das frias relações de gente grande, e que se isso acontecer, ele terá sempre a certeza que eu estarei lá, vislumbrando com ele qualquer tempo em qualquer situação, claro, escuro, limpo e turvo, sempre firme, confiante dele sempre contar comigo, mesmo ainda não sabendo explicar como acontece, mas tendo a certeza que mesmo sem minha explicação, ele sente e sente com profundidade. Claro que acontece porque o amo, o admiro, o vejo brincar e o mundo não tem mais para mim tanta seriedade, o vejo sorrir e não me satisfaço mais com sorriso algum, pois que aquele ultrapassa a todos em sinceridade e respeito-o sobretudo como homem, pois apesar de ainda ser uma criança terá sempre voz nas minhas decisões. Meu filho meu começo de estrada para eu me transformar em um homem melhor. Mesmo que em qualquer tarde ele não esteja comigo me sentirei feliz pela a imagem dele me dizendo que perto de mim ele se sente forte e mesmo quando estiver longe tudo será para ele manhã de sol resplandecente porque ele sabe que confio nele.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Herança negra

No texto abaixo falei da angústia que sentimos e o desejo de que essa velha classe de políticos, nefastos por excelência, deixe logo a vida política brasileira. Ao considerar o comportamento da neta do senador Sarney, traficando influência para arranjar emprego para seu namorado, temos a certeza que - embora a política precise de sangue novo, haverá de ser sangue diferente dos da maioria que frequentam o congresso nacional.

A neta do Sarney deixa-nos uma previsão horrível para o futuro: sobrinhos, netos e filhos desses políticos já estão todos corrompidos pelos avôs e pais.

Acho que muitas famílias de políticos já deixaram manchados seus sangues até a quarta geração.
Se tivermos sorte não veremos nenhum desses no congresso nas próximas décadas.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Sustentabilidade Governamental

Não há nada pior do que ficar refém de um partido, que metade é corrupta e outra metade é passiva quanto à corrupção do próprio partido. Todo governo que se dispuser a administrar o Brasil terá, obrigatoriamente, disso muitos já o sabem, que fazer um pacto com PMDB. A palavra pacto, que sempre nos remete à troca de favores com o tinhoso, não seria mais bem aplicada nesse caso. A série de denúncias que envolvem o presidente do senado deixa explicita a acusação, anteriormente levada a publico pelo ex-senador da República pelo PMDB Jarbas Passarinho, de que o Partido é um reduto de políticos corruptos e oportunistas.

Até quando ficaremos nas mãos do PMDB? Até quando Sarney manterá seus bigodes dentro da nossa mesquinha vida política brasileira?

Perguntas que nos deixam angustiados pela rápida superação dessa antiga geração de políticos brasileiros; que fizeram das suas vidas políticas uma profissão, e dentre as inúmeras profissões que existem a mais desacreditada da vida republicana.

sábado, 18 de julho de 2009

Um tema, por favor.

Estou há muito sem escrever aqui no blog. De uma forma mais sincera, estou sem escrever em qualquer lugar. Leio vários blogs, sites de grandes jornais; leio revistas e livros, mas nada muda e continuo em teimosa inércia. Confesso o desagravo. Espero que com a minha volta à faculdade de jornalismo, possa voltar também o interesse pelas notícias veiculadas pelas diversas mídias. Talvez o problema esteja aí: falta de empolgação pelos temas surgidos na blogosfera, sites e etc.

sábado, 30 de maio de 2009

Eu: mais um caso de gripe. Que ótimo!

Um colo. Uma mão firme e saudável para segurar esse corpo doente. O último fim de semana foi catastrófico para mim. Catastrófico em parte. Caí doente terrivelmente como a muito não acontecia, mas tive a companhia deliciosa de minha esposa Emanuelle a afagar meu corpo febril, velar meu sono, me dar remédios e cuidar de mim. A doença que me deixou de cama por dois dias foi heroicamente suportada, pois tive por perto, uma atenção carinhosa que me fez torcer, sem qualquer autopiedade, para que a dor e o frio do meu corpo não me abandonassem naquele momento; eu curti dois dias de mimos e cuidados de fazer inveja a qualquer criança. Bem antes de o mundo tomar conhecimento da Gripe Suína, ou Gripe Mexicana ou simplesmente Gripe A (H1N1), eu pensava, curiosamente, na penumbra do meu quarto, deitado numa cama úmida, com a porta do quarto sempre entreaberta, na ideia de que todos deveriam ter essa mesma sensação que eu estava vivendo agora: o corpo com febre, sem força, mas por dentro, imensamente feliz por ter alguém, ali, sempre ao meu lado, me estendendo a mão me perguntando se eu não estava melhorando.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Antes de tudo.

O preferido dos filhos era o menorzinho. Falava com admiração da inteligência do rapaz com os números e com as palavras. Sorria ao falar; e quando falava, enfatizava: gosto de todos eles! Mas não escondia sua enorme alegria pelo o único filho que sabia ler e escrever. Também pudera, em meio à vida sofrida que tivera com os pais, nunca havia tido tempo suficiente para estudar. Nunca pode dar uma educação para seus filhos diferente da que recebeu. Porém, o mais novo se saíra bem sozinho, apesar de trabalhar de dia na roça com seu pai e seus outros irmãos. Eram nove ao todo. Todos assim como ele: camisas suadas e maltrapilhas.

Ele vai ser diferente de mim! Ah, se vai! Inteligente esse diabo! Não parava de falar das habilidades do menino com as contas. A multiplicação seu moço, dizia ele, é pra mim a mais engraçada. Qualquer erro... E o resultado já era!

Tentei lhe explicar que nessas abstrações Matemáticas segue-se uma lógica, e que qualquer falha nessa lógica, em qualquer que fosse a operação, seja na soma, multiplicação ou divisão, o resultado estaria perdido. Mas desisti. A humildade não me deixou que naquele momento, se abrisse o abismo cultural que existe entre eu e aquele sujeito simples e rústico. Abismo esse não por culpa minha ou dele, mas fruto de décadas de esquecimento, de atraso e total falta de comprometimento para com a região do semi-árido brasileiro. Um dos piores climas do planeta. E continuei a escutá-lo:

E as palavras? Cada palavra bonita que ele aprendeu moço! É uma tal de improbidade, que ele me disse que é a semvergonheza que os políticos fazem com nosso dinheiro. Coisas assim que a gente não entende quando escuta o jornal. Mas ele sabe tudo...

Nesse instante eu já ia do cansaço de ficar em pé ouvindo-o à curiosidade no modo expressivo como colocava cada qualidade do seu menino prodígio. Eu estava ali bem na frente dele e não estava ao mesmo tempo. A única coisa que estava em meus pensamentos, era uma terna condescendência de estar diante de uma pessoa que me era familiar somente nos livros. Euclides? Guimarães? Ou talvez Graciliano? Quem nunca ouviu falar que o sertanejo era antes de tudo um forte? Quem não conhece a famosa história dos retirantes e sua cachorra Baleia debaixo de um sol escaldante? Pois é, naquele instante vi um desses se emocionando, transformando em lágrimas a sua admiração pelo filho mais novo. Que sabia apenas ler e escrever.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

$obras do banquete.

Muito me entusiasma nesse momento ser filho natural de um país que é credor do mundo. Sem ironia. É verdade. Conquistamos esse surpreendente feito com um presidente nordestino nos liderando. Opa!. Nos liderando? Tenho muita ressalva quanto a isso. Na verdade, há quem diga nos plenários e corredores das câmaras do nosso Estado que o Governo Federal está sacrificando municípios nessa nova jogada, diminuindo repasse do FPM (Fundo de Participação dos Municípios) e isentando o IPI para agradar empresas automobilísticas do Sul e Sudeste, claramente de olho em 2010. Questão política-partidária a parte, o fato é que parece que há dois Brasis bem nítidos: o Brasil dos banqueiros brasileiros e/ou estrangeiros e o Brasil dos demais brasileiros viventes e/ou sobreviventes. Desculpem-me, não queria cair no maniqueísmo: de um lado os bons e justos e de outro os maus e mesquinhos. Confesso que estou satisfeito com a notícia do meu país-credor do FMI. No meu parco entendimento e compreensão da realidade é um grande avanço para o país. Façamos com que não fique apenas nos grandes centros, nos que comem de barriga cheia só pra ver a cara de coitado do cachorrinho debaixo da mesa. Saiamos debaixo dessa mesa, mostremos os dentes e se preciso for, abocanharemos à força o que sobrar desse banquete.

P.S. Ontem mordi um! A cor enegrecida do frio manto escuro nunca mais deixou tão nobre familia.

sábado, 14 de março de 2009

Singela homenagem

É com muita honra que percebo, olhando na infinitude da internet, o meu singelo blog postado como opção de leitura no blog do nosso talentosíssimo artista - e quiçá, maior filósofo de Fortaleza - Marcondes Falcão Maia.
Falcão é natural de Pereiro, região interiorana do nosso estado do Ceará. Conseguiu destaque na nossa capital no início da década de 90, mostrando ao público fortalezence toda a veia poética-satírica de um artista que se propõe, assim como todo cearence, se divertir com a nossa adversa realidade.

Quem quiser saber mais sobre esse astro popcultbrega e suas filosofias é só clicar aqui.

domingo, 25 de janeiro de 2009

Plim Plim para o estado de São Paulo.


A campanha de José Serra para alcançar a tão sonhada Presidência da República parece já ter começado faz tempo. Fica evidente agora para todos quando se ver, ao ligar a televisão, propagandas em rede nacional, na rede Globlo, de programas de saneamento básico da Sabesp do estado de São Paulo. Mais do que um claro sinal de arrogância paulista - a grande metrópole que puxa a reboque os outros estados brasileiros rumo ao desenvolvimento. o fato nos permite fazer a inocente pergunta sobre os enormes custos para uma veiculação dessa amplitude de uma propaganda, que a rigor deveria ficar nos limites territoriais do Estado. A população de São Paulo e a sua respectiva Assembléia Legislastiva estão atentas a isso? Ou ambas estão unidas para ver a qualquer custo o país voltar a ser governado por um paulista? Não esquecendo que ainda ocorrerá prévias no PSDB (Partido Social Democrata Brasileiro) para a escolha de quem sairá em disputa à presidência. Há ainda o mineiro Aécio Neves, que apesar de ter menos espaço dentro do partido, ainda é sem sombra de dúvidas, e por conta do adversário ser quem ele é, o mais simpático aos olhos dos brasileiros.

Já que o sr. José Serra já mostrou a todos nós brasileiros sua intenção de chegar mais uma vez a presidência do nosso Brasil, cabe-nos retribuir a contrapropaganda que lhe faz jus.

sábado, 3 de janeiro de 2009

Israel

Dezembro 31, 2008 Por José Saramago

Não é do melhor augúrio que o futuro presidente dos Estados Unidos venha repetindo uma e outra vez, sem lhe tremer a voz, que manterá com Israel a “relação especial” que liga os dois países, em particular o apoio incondicional que a Casa Branca tem dispensado à política repressiva (repressiva é dizer pouco) com que os governantes (e porque não também os governados?) israelitas não têm feito outra coisa senão martirizar por todos os modos e meios o povo palestino. Se a Barack Obama não lhe repugna tomar o seu chá com verdugos e criminosos de guerra, bom proveito lhe faça, mas não conte com a aprovação da gente honesta. Outros presidentes colegas seus o fizeram antes sem precisarem de outra justificação que a tal “relação especial” com a qual se deu cobertura a quantas ignomínias foram tramadas pelos dois países contra os direitos nacionais dos palestinos.

Ao longo da campanha eleitoral Barack Obama, fosse por vivência pessoal ou por estratégia política, soube dar de si mesmo a imagem de um pai estremoso. Isso me leva a sugerir-lhe que conte esta noite uma história às suas filhas antes de adormecerem, a história de um barco que transportava quatro toneladas de medicamentos para acudir à terrível situação sanitária da população de Gaza e que esse barco, Dignidade era o seu nome, foi destruído por um ataque de forças navais israelitas sob o pretexto de que não tinha autorização para atracar nas suas costas (julgava eu, afinal ignorante, que as costas de Gaza eram palestinas…) E não se surpreenda se uma das suas filhas, ou as duas em coro, lhe disserem: “Não te canses, papá, já sabemos o que é uma relação especial, chama-se cumplicidade no crime”.



domingo, 28 de dezembro de 2008

Incapacidade da Razão

Uma longa pausa nas postagens aqui no blog. Estive ocupado com coisas do coração. O leitor mais dramático pensará: nossa! Ele sofreu um ataque cardíaco. Não foi bem isso. Estive mesmo repensando a vida, e este mês que passei ausente sem escrever foi de muita reflexão e clareza de idéias. Bom, e onde entra o coração numa função essencialmente do cérebro? Entra como conselheiro, por pirraça, por sentir dó sinicamente do que a razão não conseguiu ela sozinha resolver. Tenho objetivos hoje que a dois meses atrás não me passariam pela cabeça. Tentarei repor tempo perdido se isso for possível. Aliás, não perdi tempo, pois o gastei para planejar não despediçá-lo novamente.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

A Paz que queremos.

Um dia desses, uma amiga veio-me com o seguinte questionamento existencial:
- Às vezes me sinto bem cansada em lutar, lutar e lutar...Será que nós nunca conseguiremos paz?
Dei como resposta a seguinte explicação que considerei razoável:
A paz é uma conceito utópico que o ser humano inventou para passar os míseros anos de sua vida a almejar; assim como a própria felicidade. A esperança do ser humano é que a paz e a felicidade durem o mesmo tempo em que durar a sua existência aqui na terra. Desejos apenas. Mas necessários, pois contrapõe à uma realidade dura e de constante batalha. São coisas inexistentes, metafísicas, ou seja, apenas um conceito. Se formos passar a vida inteira a perseguir esses conceitos, como o poeta persegue palavras novas para exprimir o seu penoso modo de ver a vida, não viveríamos a vida realmente.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Dantas não contava com essa!

Tomemos como exemplo esse extraordinário juiz Fausto De Sanctis que abdicou temporariamente da vaga para desembargador para, com pulso firme, sem esmorecer, levar adiante o processo que pode colocar definitivamente o banqueiro Daniel Dantas na cadeia. Um brasileiro correto, um republicano capaz de encher de vergonha muitos brasileiros que prezam pela falta de patriotismo e orgulham-se de trazer, desde o berço, a inclinação para as coisas escusas.

sábado, 8 de novembro de 2008

Nova Ordem

Há quem acredite em uma nova ordem econômica mundial. A teoria neoliberal do mercado sem regulação mínima nas suas suspeitas transações comerciais pode dar lugar a uma intervenção mais forte do Estado na economia. Se economistas, empresários e banqueiros se dessem conta que se o Estado garantisse ao cidadão o seu direito à saúde, educação e transportes de qualidade, inevitavelmente sobraria mais dinheiro no bolso para o consumo, aquecendo o mercado interno e desenvolvendo a nossa indústria, uma procura maior de crédito com menos riscos à inadimplência enfim, um círculo virtuoso de prosperidade. A quem interessa uma saúde gratuita de qualidade? A todos, menos os donos de Planos de saúde. A quem interessa uma educação gratuita de qualidade? A todos, menos para essas instituições de ensino que brotam em cada esquina que com muito sacrifício, apesar de tudo, tem baixíssimos resultados na avaliação do MEC. A quem interessa um transporte de qualidade? A todos, menos os cartéis das famílias que controlam os transportes da nossa cidade.

No fim dos anos 90 e início dos anos 2000, vimos o auge da prática da entrega do patrimônio público através das privatizações – bem obscura por sinal e responsável por aparecimento de verdadeiros Ali-Babás da vida republicana, como Daniel Dantas – favorecendo de certa forma, em alguns setores privatizados, uma melhora qualitativa dos serviços; mas não disponibilizando serviços básicos gratuitamente, o cidadão tem que se preocupar, no fim do mês, com contas que poderiam ser substituídas facilmente por consumos para melhorar seu padrão de vida injetando seu dinheiro no mercado, colocando óleo na engrenagem cada vez mais enferrujada da economia neoliberal.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Lula um grande estadista?

Em época de crise e do esforço conjunto dos principais lideres dos países europeus e dos EUA para não deixar o mundo entrar na maior recessão das últimas décadas, cabe uma reflexão sobre a grande oportunidade que o presidente Lula tem de se afirmar, além de um presidente voltado para o lado social, de um grande estadista. A estatização dos bancos, mesmo que temporária, contrariando a ideologia neo-liberal de intervenção mínima do estado na regulação da economia, dará ao nosso líder metalurgico a chance de provar para todos aqueles que depositaram esperança quando o elegeram pulso firme para diminuir os efeitos negativos dessa iminente crise financeira aqui no nosso país.

sábado, 11 de outubro de 2008

Ler Machado de Assis

É sempre bom ler Machado de Assis. Quando temos o prazer de termos em mãos e passear docemente a vista, não só pelo seus romances, mas por seus contos também, notamos não só um crítico tenaz da sociedade moderna; notamos um profundo conhecedor da alma humana. O ser humano em sua complexidade: nos desvarios do amor ou nos atos nada morais do rancor e do ressentimento.

Cobertura da crise: sobra sobe-desce, falta análise



Por Alberto Dines.

Catástrofes geralmente propiciam grandes coberturas porque os jornalistas são sensíveis e diante de grandes acontecimentos combinam emoção e competência. Mas a cobertura do desastre financeiro internacional, embora maciça e intensa, não pode ser incluída entre os melhores momentos do jornalismo. Sobretudo aqui no Brasil.

A mídia impressa tem sido a mais prejudicada porque está fixada no sobe-desce das cotações. Como as bolsas do mundo abrem e fecham praticamente o dia inteiro e existe um intervalo de pelo menos seis horas entre a preparação da manchete e a entrega do jornal nas mãos do leitor, fica visível o descompasso entre o acontecido na véspera e a situação na manhã seguinte.

O jornalismo digital, em tempo real, seria teoricamente o mais ágil e preciso se não dependesse principalmente do que sai nos jornais. Com equipes reduzidas, sua vantagem limita-se à capacidade de acompanhar o dispara-despenca das cotações em todo o mundo.

A numerologia pura e simples pode ser maçante para o não-especialista. Estes são senões estruturais, mas há também disparates. Para mostrar serviço, um jornalão despachou um comentarista para a Europa esquecido de que esta é uma crise global que se desenrola simultaneamente em todos os quadrantes, com fatos amplamente divulgados.

O que o leitor quer é análise, conhecimento de causa, capacidade de fazer conexões, perspectiva histórica e, sobretudo, honestidade intelectual. Delfim Neto, ex-czar da economia do regime militar, no seu artigo de hoje no DCI - Diário de Comércio, Indústria & Serviços, garante que o Brasil cresce pelo menos 4% no período 2009-2010. Isto pode até acontecer, mas fazer tal afirmação hoje é propaganda enganosa.

sábado, 4 de outubro de 2008

Eleições

Neste domingo , dia 5, se realizarão as eleições para escolher prefeitos e vereadores de todos os munícipos da federação; e noto, desanimado, a falta de empolgação política da minha cidade. Tal entusiasmo que notávamos estampado no rosto e corações da nossa juventude de então, não se repetiu dessa vez nessa eleição. Momentos de confronto entre adversários foram registrados. Inclusive algumas bem acirradas, partindo mesmo para o confronto físico. Mas aquela grande mobilização popular, onde se travavam batalhas ideológicas nas ruas e bares da capital cearense, nem chegou aos pés do que foi nas eleições à quatro anos atrás; claro que tudo se deve ao fato das pesquisas apontarem a atual prefeita em larga vantagem em relação aos seus adversários. Nada comparado à eleição passada, quando todos assistiam atônitos a escalada triunfal da candidata Luizianne Lins, correndo por fora, e alcançando o segundo turno de forma firme e competente; competência que se afirmou no segundo turno quando saiu vitorosa e derrotando o candidato Moroni Torgan.

Se as pesquisas se confirmarem haverá a possibilidade dela ser reeleita já no primeiro turno.

O bom momento do Brasil, e a popularidade enorme do presidente Lula, repercurtiram em quase todos os municípios; e aos prefeitos atuais, da oposição ou da base governista, restou um bom ambiente político para garantirem sua reeleição.

sábado, 13 de setembro de 2008

Certezas

Faz quanto tempo que eu não curto uma noite por aí? Hoje não tem conversa. Vou sair com meus amigos. Ah, será que ela irá também? Será que Emanuelle estará lá com aquele mesmo sorriso que me fez noites inteiras arder em desejos? Conversaremos a noite toda novamente, e nos copos alternando entre cheio e vazio acalmaremos nossas dores entre confissões mútuas. Admitiremos, consternados, que o problema do mundo é que os seres humanos entendem menos de convivência dos que os generais entendem de Guerra, por isso que nós, os pacifistas, sempre perdemos no esforço de unir as pessoas. Sete horas da noite. Quase na hora. Calço os sapatos rápido: ainda tenho que passar na casa da minha mãe pra ver se está tudo em ordem com Arthur; se minha mãe está precisando de algo para ficar com ele esta noite. Arthur tem um ano e um mês. Um relacionamento rápido com uma pessoa. E desse relacionamento, um presente pra vida inteira. A mãe seguiu seus desejos. Uma coisa muito nobre, se não fosse o filho que ela deixou para trás. Pergunto a minha mãe se ele está dormindo.

– Aquele ali dormir? Parece o pai, gosta da noite. Dei agora mesmo um biscoito para ele comer. Acordou com fome.

Vou até o berço; ele me recebe com um sorriso e nesse instante perdi a vontade de sair de perto dele. Em uma das mãos um biscoito todo lambuzado. Com expressão perdida me lembro quando fazia o mesmo; quando mergulhava um biscoito no café, desmanchando-se instantaneamente na minha boca, doce e delicioso... No sorriso dele noto pequenos pedaços, mais amassados do que mordidos, que escorrem pelo queixo até cair na coberta do berço. - Que amigos que nada! Que festa que nada! Desculpe-me Emanuelle, mas seu sorriso que me deixa noites inteiras sem dormir não se compara a esse que me faz o dia inteiro um homem feliz. Pego-o no colo; me sujo junto com ele, sem me importar com a mancha que fica na calça que coloquei pra sair. Ele me oferece um biscoito; aceito com uma felicidade imensa: porque esse momento é só nosso e temos o pacote inteiro pela noite adentro!

domingo, 17 de agosto de 2008

Dúvidas

Não sei o nome do bar, e nem me importava naquele momento. Só sei que era um ambiente agradável. Estava lotado, mas apesar disso, gastei apenas alguns minutos para encontrar uma mesa para duas pessoas. Sentamos. O lugar que nos reservaram era nitidamente exclusivo para quando a casa lotava; constantemente tive que afastar um pouco minha cadeira para que as pessoas pudessem transitar livremente por detrás quando queriam ir embora ou simplesmente ao banheiro. Falamos então sobre a música que estavam tocando; falamos sobre outras brevidades e então perguntei:

- E então... o que você queria me dizer que não poderia ser dito em outro local senão aqui?

- Não que teria que ser dito aqui, mas, que pessoalmente é melhor.

- Pois bem, aqui estamos...

- O quanto de Verdades seu espírito pode suportar?

- O quanto de Verdades? Depende, tem Verdades pequenas que podem ser ditas aos montes...porém, tem aquelas que só bastam meia para fazer uma pessoa desabar. Qual o tamanho da sua Verdade?

- Grande para uma criança e pequena demais para um homem.

- Pois me diga e veja qual dos dois se apresentará aqui na sua frente, uma criança ou um homem.

- Pois bem: você pensa que vive em alicerces sólidos, mas treme ao menor sinal de tempestade.

- Ainda não vi nenhum sinal que me preocupe.

- Mentes para ti mesmo! Você sempre procurou brisas mais suaves pois sabia que não suportaria estar no meio de um tufão.

- Confesso todo meu apreço por viver tranquilamente sem maiores preocupações. Quem não gosta? Não foi feita para mim uma mísera vida de aperreações. Se essa era a grande Verdade que eu não suportaria não sabias o tamanho do meu espírito.

O resto da conversa foi sobre o passado que em vias de regra é o mesmo pra qualquer pessoa que vive na mesma época. É necessário passarmos por certas coisas, que de certa maneira, coloca dúvidas sobre seu verdadeiro valor, mas que permite que nos transformemos em uma pessoa melhor. Assim deveria ser.

- Mas esqueçamos agora o valor das coisas, do que é Bem e o que é Mal. Somos o nosso próprio ocaso e hoje quero apenas pensar que não sou uma fortaleza.

terça-feira, 15 de julho de 2008

Estatização nos EUA.

Quando tudo vai bem os gritos são dos liberais: deixemos o mercado realizar suas bem-feitorias para a sociedade e não admitamos em hipótese alguma a intromissão do Estado na economia!

Essa é a frase que mais ouvimos dos liberais espalhados pelas economias capitalistas pelo mundo afora.

Hoje constatamos que não é bem assim; o mercado tem suas regras próprias, mas se deixadas nas mãos de loucos especuladores agressivos, que já fizeram tantos estragos nas economias de diversos países, o resultado é um desastre financeiro em cadeia que sem a intervenção do Estado, isto mesmo, o Estado!, seria a bancarrota do país.

Estamos vendo esse fenomeno, quem diria, no país da economia mais liberal do mundo: os Estados Unidos.

A estatitazação das duas maiores companhias hipotecárias do país, coloca em xeque a teoria ultra- liberal que não aceita de maneira alguma a influência do Estado.

Quando estão por cima, tudo bem! Mas quando não estão, o Estado ( leia-se o povo) se vê forçado a intervir, para o estrago não ser ainda maior para todo o resto da economia do país.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

A divisão na Polícia Federal

Quem não está acompanhando o caso da prisão-liberdade-prisão do banqueiro Daniel Dantas, está perdendo a oportunidade de acompanhar algo mais intrigante e emocionante: o racha da Polícia Federal entre o delegado Protógenes Queiroz e o diretor da polícia federal Luis Fernando Correa.

Este competente delegado foi até o fim das investigações que culminou com a prisão de Dantas, sem o apoio do diretor geral que lhe retirou toda a logística da operação.

No texto chamado 'Intestinos do Brasil' o jornalista Bob Fernandes dá detalhes primorosos sobre essa questão que é notícia nos principais veículos de comunicação do país.

Leia a íntegra do texto de Bob Fernandes aqui

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Noblat: profeta ou simplesmente boca-de-siri?

O fato de que Rico não fica preso no Brasil já extrapola o limite da decência. Há mais motivos, entre o céu e a terra, para essas pessoas não ficarem preso do que pode suportar nossa vã paciência. No site-blog do Noblat tem até promoção de um IPod, para aquele que adivinhasse quanto tempo Daniel Dantas ficaria preso. Eu, cético como sou também da prisão desses sujeitos, arrisquei 32 horas de cárcere para o dito cujo; errei, ficou mais tempo. Mas também não muito mais que isso.

Eu poderia fazer esse tipo de enquete como um cidadão que já vem desconfiando, mais ou menos, dos truques sujos, das artimanhas do toma-lá dá-cá das entranhas do poder; mas o Noblat é um jornalista superinformado, até um dos mais informados do país; se fosse o caso dele saber o porquê que Daniel Dantas ficaria tão pouco tempo preso, deveria, como jornalista, divulgar os motivos para esclarecer-nos; nós simples mortais que somos sem acesso a informação privilegiada.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Caso Veja, caso chores.

Lí no excelente blog do Nassif ( o link está aí do lado como sugestão) a vergonhosa maneira de se fazer jornalismo na revista Veja. Assassinato de reputação é o método que a dita revista emprega para atacar seus inimigos. Ela difama sem nenhum pesar de consciência, homens de condutas irrepreensíveis e ilibadas que ao menor indício de ligação com o Partido dos Trabalhadores(PT) - que a Veja considera a personifacação do Mal aqui na terra - é o bastante para se fazer uma campanha de extermínio de sua imagem.

A revista tem matérias legais, bem elaboradas; mas nesses útlimos tempos tem deslizado em condutas éticas de deixar qualquer estudante de jornalismo de cabelos em pé.

segunda-feira, 30 de junho de 2008

A lei seca

Tolerância zero para os que gostam de pegar o carro e sair no fim de semana para tomar umas e outras com seus amigos por aí. Se for pego, é multa e apreensão da carteira. A multa é pesada, assim como a própria significação da expressão 'Tolerância Zero'. Diariamente assistimos reportagens sobre flagrantes de pessoas, jovens na sua maioria, que ainda não tomaram consciência da seriedade dessa lei. Há, acredito, céticos que acham que por ser rigorosa demais, essa lei não vingará.

Torço pra que isso não aconteça. Pois se chegamos ao ponto de sermos tão rigorosos quanto a questão Álcool x Direção, isso refletiu apenas a urgência de termos um trânsito menos violento.